Agronegócio

A pecuária de corte e os gases do efeito estufa

Você já ouviu falar que o motivo para o aquecimento global está na pecuária de corte? 

 

Pois é! Hoje, trouxemos esse boletim informativo produzido pelo Centro de Inteligência da Carne Bovina, um setor da EMBRAPA, uma empresa pública brasileira que busca viabilizar soluções de pesquisa, desenvolvimento e inovação para a sustentabilidade da agricultura, em benefício da sociedade brasileira.

 

Vamos destacar aqui, alguns pontos interessantes do documento. 

 

Como é dito no documento, mas nós gostaríamos de reiterar, há dois riscos: os usuais exageros que costumam circular em matérias de imprensa e redes sociais sobre o envolvimento da pecuária no tema ou a ideia que o setor não deve se preocupar com o tema. Como sempre, a melhor opção é a tentativa de ser o mais imparcial possível e se render aos fatos, pois só assim conseguiremos resolver o problema.

 

A seguir trataremos um pouco sobre os 10 mitos sobre a pecuária e os gases do efeito estufa: 

 

1) A pecuária tem emissão maior do que o setor de transporte: O mito da emissão maior pela pecuária foi criado por um relatório da ONU de 18 anos atrás cujo título já adiantava um viés que não deveria haver em um documento dessa natureza: “A grande sombra da pecuária”.

 

2) A redução de metano entérico exige mudanças que podem inviabilizar a pecuária: a suplementação com proteinados na seca que são capazes de reduzir o tempo de abate em até um ano, ou seja, não só é um ano a menos de emissão, mas a emissão ao longo do tempo, por kg de carne produzida, também é menor. Não raro, a relação benefício - custo do uso do proteinado chega a 3 para 1, ou seja, para cada real investido, três reais são ganhos no ganho de peso.

 

3) A única maneira de reduzir a emissão de metano é reduzindo o rebanho: Reduzir a parte do rebanho que gera ineficiência ao sistema (ver item 8) é interessante para reduzir as emissões, mas não a única forma. Há várias estratégias que podem ser usadas para reduzir a emissão. Evidentemente que intervenções nutricionais, como o uso de valores mais elevados de gordura na dieta ou uma formulação com menor teor de fibra, têm destaque. Aditivos de vários tipos estão disponíveis e, apesar dos efeitos nem sempre serem consistentes, acabam ajudando.

 

4) Não faz diferença a métrica que usamos, afinal é tudo GEE: Um animal em uma pastagem rapada e seca emite menos metano do que um animal em confinamento, o que parece ser um contrassenso quando se considera as reiteradas informações de que melhores desempenhos costumam reduzir a emissão de metano.

 

5) Pecuária intensiva aumenta a produção por área, portanto reduz a emissão: Na verdade, o aumento de produção por área pode ter o efeito oposto e aumentar as emissões. Ao se elevar o número de animais por área, a resposta esperada é um menor desempenho individual, pois com a forragem disponível mais disputada, reduz-se as chances dos animais selecionarem as partes mais nutritivas das forrageiras.

 

6) A pecuária feita com pastagens em boas condições tem balanço positivo de carbono: O importante aqui é destacar que foram situações de produção, em geral, bem superiores à média brasileira, e seria errado extrapolar esse resultado para a pecuária bovina brasileira em geral.

 

7) A resistência em aceitar o sequestro de carbono no solo pelas raízes das plantas é para desconsiderar uma vantagem de países com pecuária baseada em pastagem: A questão do C no solo é tanto a mais importante, como a mais complexa. O fato é que a medição dos estoques de C no solo é uma medida muito trabalhosa, cara e com resultados muito variáveis. Por vezes, apenas em um horizonte de vários anos é possível detectar aumentos do C no solo. Assim, técnicas mais baratas, acuradas e precisas têm sido buscadas.

 

8) O metano entérico tem vida curta, se transforma em gás carbônico e é usado pelas plantas em razão de seu crescimento, portanto os ruminantes não têm nada a ver com o aquecimento global: ultimamente, excelentes pequenos vídeos animados têm defendido este argumento e, de fato, considerando um rebanho estável, o metano entra no ciclo do carbono (C) e o nível desse gás, portanto, permaneceria estável.

 

9) É usado o GWP para prejudicar os pecuaristas: o GWP, sigla em inglês para “Global Warming Potential”, ou seja, potencial de aquecimento global, é uma métrica que coloca os GEE em uma moeda única. Mais especificamente, é usado o GWP100, expresso em CO2- equivalente (CO2-eq). Uma tonelada de CO2-eq é o efeito climático pelo período de 100 anos de um pulso de emissão de 1 t de um gás. Por definição, o GWP100 do CO2 é igual a 1. Ele é 28 e 256, respectivamente para CH4 e N2O, mostrando que esses GEE têm maior capacidade de aquecimento muitas vezes maior que o CO2.

 

10) Quem defende o GWP tem interesse apenas em ajudar os pecuaristas: ainda nessa linha de métricas alternativas para fazer uma “moeda “ única para os principais GEE, surge o GWP. O motivo de buscar essa nova alternativa seria porque o GWP100 não representaria o real impacto dos gases, pois, por exemplo, a maior parte do impacto climático resultante da emissão de CH4 ocorreria dentro de poucas décadas e compará-lo considerando o período de 100 anos, distorceria o resultado.

 

Por fim, com relação à redução do consumo de carne como forma de reduzir o aquecimento global, a “Segunda sem carne” é um bom exemplo de como ela não é a melhor opção. Considerando que houvesse uma adesão de 100% dos consumidores de carne brasileira (inclusive da nossa carne exportada), a redução das emissões globais não chegaria a 0,1%. Isso porque todo o rebanho brasileiro (incluindo todos os tipos de animais de criação) emite menos do que 1% dos GEE globais. O grande vilão dos GEE é o C que vem da queima de combustíveis fósseis, ou seja, uma “Segunda sem carro” é bem mais adequada.

 

Fonte: Centro de Inteligência da Carne Bovina. EMBRAPA. 

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